Uma tarefa urgente grita; uma tarefa importante espera em silêncio. É por isso que tanta gente termina o dia tendo respondido a todos os gritos e sem ter tocado no que realmente mudaria a semana. A Matriz de Eisenhower, batizada em homenagem ao presidente americano Dwight Eisenhower, é uma ferramenta para separar essas duas coisas antes de agir: você cruza duas perguntas, "é urgente?" e "é importante?", e cada tarefa cai em um de quatro quadrantes, com um destino diferente para cada um.

Uma semana para classificar

Para tornar o método concreto, acompanhe o caso de uma coordenadora pedagógica que faz pós-graduação à noite. Na segunda de manhã, ela despeja tudo que tem pela frente:

  • Entregar o relatório bimestral para a direção (prazo: quarta).
  • Responder a um pai que mandou mensagem irritado ontem.
  • Ler os dois capítulos da disciplina de sexta.
  • Começar o projeto de leitura da escola para o próximo semestre.
  • Reunião de alinhamento que o colega marcou e ela não sabe para quê.
  • Trocar o plano do celular, que está caro.
  • Grupo de mensagens da turma da pós, 140 mensagens não lidas.
  • Marcar o exame de rotina que está atrasado há dois meses.

Oito itens, oito sensações de urgência diferentes. Sem a matriz, ela começaria pelo pai irritado e pelo grupo de mensagens, porque são os que mais incomodam. Veja como a classificação muda isso.

Os quatro quadrantes

Importante é o que tem consequência real para os seus objetivos, obrigações ou pessoas que dependem de você. Urgente é o que tem prazo próximo ou piora rápido se não for tratado. Cruzando os dois:

QuadranteUrgente?Importante?O que fazer
1SimSimFazer agora, você mesmo
2NãoSimAgendar um horário e proteger
3SimNãoDelegar, encurtar ou responder no mínimo
4NãoNãoEliminar ou deixar para o tempo livre

Para a coordenadora, a distribuição fica assim. Quadrante 1: relatório bimestral (prazo quarta, consequência real) e o pai irritado (piora rápido, envolve uma criança). Quadrante 2: os capítulos da pós (importante, mas sexta ainda está longe), o projeto de leitura (o item mais importante da lista e o único sem prazo) e o exame de rotina (importante, sem urgência, e por isso atrasado há dois meses). Quadrante 3: a reunião sem pauta e o plano do celular. Quadrante 4: as 140 mensagens do grupo.

Como classificar sem se enganar

A dificuldade da matriz não está nos quadrantes, está na honestidade ao classificar. Duas perguntas ajudam.

Para "é importante?": "Se eu não fizer isso nunca, o que acontece em três meses?". Se a resposta for "nada" ou "alguém reclama uma vez e esquece", não é importante, mesmo que pareça. Se a resposta envolve uma nota, uma relação, dinheiro relevante ou um objetivo que você escolheu, é importante.

Para "é urgente?": "O que acontece se eu fizer isso daqui a uma semana em vez de hoje?". Se a resposta for "nada muda", não é urgente, por mais que a notificação pisque.

Exemplo: um estagiário recebe um e-mail do gestor com "URGENTE" no assunto pedindo um levantamento de dados para uma reunião que foi cancelada. O e-mail parece quadrante 1; aplicando a segunda pergunta, ele descobre que a reunião só volta em duas semanas. É quadrante 2, e ele pode agendar para quinta em vez de largar o que estava fazendo.

O que fazer em cada quadrante

Classificar sem agir diferente em cada quadrante não serve para nada. O destino de cada um:

Quadrante 1 (fazer agora): entra no começo do dia, com o tempo que precisa. Fique atento a um sinal: se o seu quadrante 1 está sempre cheio, é porque tarefas do quadrante 2 ficaram paradas até virarem crise. A coordenadora sabe que o relatório bimestral estava no quadrante 2 há três semanas.

Quadrante 2 (agendar): é o quadrante dos resultados de longo prazo e o mais negligenciado. A única forma de cumprir é colocar na agenda com dia e hora e tratar como compromisso. A coordenadora marca "capítulos da pós" para terça e quinta das 20h às 21h30, "projeto de leitura" para quarta de manhã em um bloco de 2 horas sem reuniões e "ligar para marcar o exame" para hoje ao meio-dia, porque leva cinco minutos. Esse tipo de bloco protegido é o que o artigo sobre trabalho profundo descreve em detalhe.

Quadrante 3 (delegar ou encurtar): para a reunião sem pauta, ela manda uma mensagem ao colega: "Pode me adiantar o assunto? Se for só alinhamento, resolvemos por mensagem." Para o plano do celular, pede ao marido, que já estava pesquisando o dele. Nem toda tarefa pode ser delegada, mas quase toda pode ser encurtada: responder em uma linha, resolver por telefone em vez de reunião, fazer o mínimo aceitável. Recusar um pedaço dessas tarefas é uma habilidade que o artigo sobre como dizer não e proteger o seu tempo ajuda a desenvolver.

Quadrante 4 (eliminar): as 140 mensagens ela arquiva sem ler, ou lê no sábado de manhã tomando café, como lazer. Quadrante 4 não é proibido; só não pode ocupar as horas de trabalho e estudo. Muitos ladrões de tempo moram aqui disfarçados de obrigação.

A armadilha do quadrante 3

A matriz existe principalmente para expor um erro: tratar o quadrante 3 como se fosse o 1. Tarefas urgentes e pouco importantes são as que mais consomem o dia de quem trabalha em escritório, atende clientes ou cuida de família: mensagens, pedidos pequenos, reuniões, "você pode dar uma olhada rápida nisso?". Cada uma leva 10 minutos; são 15 por dia; o dia acaba.

A medida mais útil é olhar, no fim da semana, quanto tempo foi para cada quadrante. Se o quadrante 2 recebeu menos de um quinto das suas horas de trabalho, as semanas seguintes vão ter mais quadrante 1, com crises que você poderia ter evitado. Uma meta de referência é aumentar o quadrante 2 em um bloco por semana.

Exemplo: um desenvolvedor que trabalha em casa percebe que respondeu a dezenas de mensagens de colegas na semana e não avançou na migração do sistema, que é a tarefa pela qual será avaliado. Na semana seguinte, agenda dois blocos de 3 horas para a migração com o chat fechado e responde mensagens em três horários fixos. O número de mensagens não caiu; o tempo gasto com elas caiu pela metade.

Use a matriz na semana, não a cada tarefa

Classificar cada tarefa no momento em que aparece é cansativo e não dura. O uso que se sustenta é semanal: uma vez por semana, despeje tudo, classifique em 15 minutos, agende o quadrante 2, encurte o 3 e apague o 4. Durante a semana, a matriz vira só uma pergunta rápida quando algo novo surge: "isso é um 1 de verdade ou um 3 disfarçado?".

Esse ritual encaixa bem no planejamento semanal. Um cuidado: a matriz pode ser mal usada para justificar adiamento, chamando de "quadrante 2" o que você só não quer fazer agora. O teste é simples: se a tarefa está no quadrante 2 há três semanas sem data na agenda, ela não foi agendada, foi adiada. E se, mesmo depois de classificar, o quadrante 1 estiver lotado, o artigo sobre como priorizar tarefas oferece critérios para desempatar entre itens igualmente urgentes e importantes.

Para começar hoje

  1. Escreva em uma folha tudo que está pendente, sem filtrar, até esgotar.
  2. Desenhe a cruz dos quatro quadrantes e distribua cada item usando as duas perguntas: "o que acontece em três meses se eu nunca fizer?" e "o que muda se eu fizer daqui a uma semana?".
  3. Abra a agenda e marque dia e hora para cada item do quadrante 2.
  4. Escolha um item do quadrante 3 para encurtar ou delegar ainda hoje e apague o quadrante 4.